"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." - Romanos 12:2

sábado, 21 de dezembro de 2013

Um exemplo de fé e superação

Alegre expectativa pairava no ar. Pais, avós e demais membros da família aguardavam do lado de fora do Centro Médico Riverside, na cidade de Bacolod, Filipinas, a notícia que estava prestes a ser divulgada. Finalmente veio o momento em que a garotinha, o primeiro bebê da casa, chegou ao mundo chorando muito. O nascimento de uma nova criança por si só traz alegria. Mas, junto com o contentamento, essa garotinha trouxe grandes preocupações a seus pais e avós: ela nasceu com ausência conata de parte de seu antebraço direito. Os pais a chamaram Mary Grace, como que para refletir a calma resignação e a serena fé da Maria bíblica, e para deixar implícito que aquele pequeno pedaço de gente era realmente um presente de Deus a eles, para ser criada em Seus caminhos segundo a Sua vontade.

Mary Grace Gellekanao vivia com a família e os avós na mesma casa. Os avós dedicaram seu amor à criança em desenvolvimento e não permitiram que a deficiência congênita lhe afetasse o futuro. Quando Grace revelou interesse por música e piano, sua avó considerou isso um desafio. Ela procurou um professor após outro; mas nenhum se dispunha a ensinar-lhe. Como poderia uma garota sem antebraço dominar um teclado? Mas tanto Grace quanto sua avó eram mulheres de fibra. Não eram do tipo que desanima facilmente. Após meses de busca, correndo a cidade de um lado a outro, sua persistência foi recompensada. Uma professora concordou em tomar parte no desafio e concordou em lecionar para Grace, que na época era apenas uma criança.

Hoje, 24 anos depois, Grace domina o piano. Ela pratica pelo menos quatro horas por dia e pode tocar muitas peças difíceis. Ela também toca órgão. Em 1994, Grace, incentivada por sua professora, Sra. Sylvia Javellana, apresentou um recital solo de órgão. Um ano depois, a instituição Voluntários para a Reabilitação dos Deficientes e Incapacitados daquele país organizou o primeiro recital solo de piano de Grace. Foi um sucesso, mas apenas o começo.

Em 1996, Grace começou uma turnê internacional e tem tido uma agenda lotada desde então, com estudos universitários e apresentações. Ela se graduou em maio de 2001 pela Universidade de St. La Salle, da cidade de Bacolod, obtendo o bacharelado em Psicologia. Grace espera utilizar seus talentos musicais para ajudar outros, especialmente pessoas com habilidades diferenciadas, como no seu caso, a se aceitarem como criaturas especiais de Deus, de modo que possam ter propósito na vida e ser produtivas. Atualmente Grace é voluntária no Movimento dos 1.000 Missionários das Filipinas.

Grace, quando você começou a interessar-se por música?

Quando tinha cerca de 6 anos. Tornei-me muito interessada em música e desejava tocar um instrumento. Então minha avó levou-me a sério e fez todo o possível até convencer uma professora de piano a aceitar-me. Meu avô estava mais do que disposto a apoiar-me financeiramente. Graças à sua confiança fui capaz de descobrir uma importante parte de mim mesma.

Você realmente descobriu um potencial oculto.

Graças a Deus e a meus entes queridos. Não demorou muito para que eu soubesse o que é a música e o que ela requer. Exige muita força de vontade e bastante prática. Dediquei tudo que podia a essa arte que tanto amo, e hoje sou capaz de tocar peças difíceis. Por incrivel que pareça, meu braço direito toca as partes mais difíceis da peça. Admito que às vezes dói, especialmente quando estou tocando uma peça com escalas muito rápidas. Mas digo a mim mesma que a dor que enfrento ao pressionar cada tecla é o que torna a música especial, diferente de todas as demais. O som do aplauso das pessoas me deixa entusiasmada porque sinto que as faço felizes. Elas apreciam os meus esforços e isso constitui a recompensa e o remédio suficientes para um antebraço dolorido.

Onde e com que freqüência você se tem apresentado?

Com o apoio de minha professora, decidi realizar um recital solo de órgão em 1994, e um recital solo de piano no ano seguinte. A partir daí o programa se acelerou. O ano mais inesquecível foi 1996. Tive apresentações em muitos lugares. No mês de fevereiro me apresentei em Guam durante o 40o aniversário da Clínica Adventista do Sétimo Dia. Dois meses mais tarde, juntamente com alguns de meus colegas da escola de música, dei início a uma turnê de recitais pela Europa. O recital mais memorável teve lugar em Frankfurt, Alemanha, no Buerguerhaus de Hausen, para o Clube da Família de Offenbach. Entre os convidados que assistiram ao recital estava um ex-embaixador das Filipinas na Alemanha, Francisco del Rosario. Posteriormente seguimos em turnê por outras partes da Europa, e em nossa viagem de retorno passamos por Bangcok, na Tailândia.

Outros concertos internacionais seguiram-se enquanto eu me valia das oportunidades de partilhar meu dom musical com a audiência, e no processo, ganhar o amor e apreciação de minha própria família.

E seus pais? Vindos de uma cultura como a sua, eles devem ter tido suas próprias dificuldades a vencer durante seus primeiros anos de infância, considerando sua deficiência física.

Minha infância foi um tanto complexa porque meus pais enfrentaram tempos difíceis para aceitar o fato de que sua filha mais velha nasceu com uma deficiência física. Eu tentava compreender a reação deles diante de meu infortúnio, embora me sentisse realmente afetada com sua frustração. No entanto, ainda sinto que de um modo ou outro sou afortunada por Deus ter-me concedido o dom de tocar piano e órgão, o que compensa minha condição.

Sinto-me feliz porque Deus tem sido tão bom para mim, permitindo que todas essas coisas maravilhosas ocorram em minha vida. Tocar me tem proporcionado tantas alegrias! E embora as coisas nem sempre ocorram do modo como desejamos, devemos sempre lembrar-nos de que tudo quanto Ele permite que nos sobrevenha tem um propósito. Deus emprega mesmo os maiores erros e o mais profundo ferimento para moldar-nos em pessoas de valor e qualidade.

Como foi sua experiência universitária?

Minha vida universitária foi para mim o período mais memorável. Comecei a relacionar-me com outras pessoas. Consegui muitos amigos e realmente passei a aproveitar a vida e partilhar minha música. Não enfrentei nenhum problema com minha fé enquanto cursava a faculdade, embora fosse uma universidade católica. Eu não precisava assistir às aulas aos sábados e os estudantes e professores respeitavam as minhas crenças.

Houve algumas pessoas especiais em minha vida, mas há alguém que desejo mencionar. Essa amiga ajudou-me a ter dignidade própria, a preencher os espaços vazios em minha vida e a manter-me perto de Deus. Ela me deu coragem para enfrentar a vida e me tem ajudado a confiar nas pessoas. Quando eu era mais nova, não podia expressar a ninguém o que sentia. Apenas conservava tudo dentro de mim. Ansiava ter a sensação de pertencer a alguém, de ser abraçada. Mas não obtive muito sucesso até conhecer minha amiga especial na faculdade. Como disse, ela tornou minha vida muito mais significativa. Sinto-me muito abençoada porque ela e outros cruzaram meu caminho.

Grace, apenas por curiosidade, por que decidiu cursar Psicologia na faculdade e não Música?

Eu sempre tive esse sonho -- ser uma missionária através da música, de algum modo à minha própria maneira, fazendo uma diferença na vida das pessoas. Acreditava que uma combinação de psicologia e música poderia ajudar-me a ser eficaz em terapia musical. Também espero poder inspirar outros com deficiências. A deficiência física não é impedimento para o êxito ou felicidade. Desejo que as pessoas percebam isso. Anseio dedicar cada minuto de minha vida a Deus. Estou certa de que uma musicista e psicóloga ao mesmo tempo pode ser realmente um grande auxílio para a realização de meus objetivos.

Pode nos relatar algo sobre terapia musical?

A terapia musical é a aplicação sistemática da música no tratamento de aspectos fisiológicos e psicológicos de uma enfermidade ou deficiência. Concentra-se na aquisição de habilidades e comportamentos não-musicais, determinados por musicistas terapeutas especializados, mediante avaliação sistemática e planejamento terapêutico.

Tem alguma palavra de conselho para os nossos leitores?

Nunca desanimem, porque Deus está no controle. Às vezes sinto que estou a ponto de desanimar, mas então oro e encontro em Deus a força, o conforto e o amor de que preciso para seguir avante. Sou grata a Ele porque sempre está ao meu lado para cuidar de mim. E o grande fato é que Ele também está aí ao seu lado. Meu cântico favorito é: "Deus Abrirá um Caminho". É verdade, Ele abrirá um caminho, mesmo que pareça não haver caminho. Eu passei por muita coisa desde a infância. Seria inevitável que alguns de meus colegas zombassem de mim e dissessem coisas que podiam partir-me o coração. Mas desde jovem tenho procurado lembrar-me de que "Deus não cria refugo", como se diz, e é isso que desejo que os jovens tenham em mente. Todos são especiais à Sua vista.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Os cristãos e a escolha da música

por: Alberto Ronald Timm, Ph.D em Teologia.

Toda música reflete componentes básicos da cultura ou subcultura em que foi concebida, bem como dos valores pessoais e, em certos casos, até mesmo o estilo de vida do seu compositor. Isso significa que cada música transmite uma mensagem aos seus ouvintes. Essa mensagem pode ser enunciada explicitamente através de uma letra específica ou, simplesmente, comunicada às emoções dos ouvintes através da combinação de sons.

Em sua obra How Should We Then Live?, Francis A. Schaeffer demonstra como a música contemporânea tem refletido a cosmovisão e os valores existenciais do homem contemporâneo (The Complete Works of Francis A. Schaeffer, 2.ª ed., vol. 5, págs. 195-209). Conflitos interiores, egocentrismo, sensualismo e abandono de padrões morais são alguns dos valores popularizados por grande parte da música moderna. Já desde a mais tenra idade, as crianças de nossa sociedade têm sido inescrupulosamente estimuladas, em nome da cultura e da popularidade, a substituir os valores morais do cristianismo tradicional pelo sensualismo de inúmeras canções populares, entoadas como melodias repetitivas e ritmos eletrizantes.

Embora o cristão seja ao mesmo tempo um cidadão deste mundo e do reino de Deus (ver Mt 22:21), ele não pode se esquecer de que sua cidadania celestial tem precedência sobre sua cidadania terrestre (Mt 6:33; Jo 17:14-16). Mesmo não tendo que romper com toda a música secular, o cristão deve ter em mente que o fato de uma música ser popular e culturalmente aceita não significa necessariamente que ela seja apropriada, pois nem sempre a maioria está correta. A cultura popular deve ser aceita apenas até o ponto em que não conflite com os valores bíblicos. Quando tal conflito surge, o verdadeiro cristão não hesita em romper com os componentes antibíblicos de sua própria cultura, pois, de acordo com o conceito apostólico, “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5:29).

O subjetivismo dos gostos pessoais e o apelo da cultura popular devem ser subjugados e reeducados em conformidade com os princípios normativos da Palavra de Deus. Não apenas a letra de uma música, mas também os estímulos da própria música sobre as emoções dos ouvintes devem ser cuidadosamente analisados. O rei Salomão nos adverte: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23).

Fonte: Sétimo Dia

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Diálogo com o violinista Jaime Jorge

A entusiástica mestria do violino de Jaime Jorge já deleitou muitas audiências ao redor do mundo. Cristão comprometido, Jaime dedicou seu talento especial ao compartilhamento do amor de Deus através de concertos clássicos. 

Nascido em Cuba, em 1970, Jaime começou tocar violino quando tinha cinco anos. Aos 10, sua família mudou-se de Cuba para os Estados Unidos, onde o jovem Jaime começou estudar com o célebre violinista Cyrus Forough, um aluno do notável David Oistrakh.

Através dos anos, Jaime tem tocado em lugares e ambientes variados, desde auditórios de colégios a igrejas e até no famoso Carnegie Hall. Ele já se apresentou perante chefes de Estado e outras autoridades governamentais ao redor do mundo, incluindo as Américas, Europa, Ásia, Austrália e Rússia. Ele faz, em média, mais de 75 concertos anualmente, apresentando-se para cerca de meio milhão de pessoas — algumas vezes chegando a 44 mil numa uma única apresentação.

Jorge obteve prêmios por cinco de seus álbuns, dois dos quais foram gravados na Europa com a Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Tchecoslovaca, em Bratislava. Seu álbum natalino, Christmas in the Aire, foi gravado juntamente com os 75 membros da Orquestra Filarmônica Nacional da Hungria.

Jorge graduou-se na Universidade Loyola de Chicago. Após estudar Medicina por um breve período na Universidade de Illinois, ele deixou o curso de Medicina para servir integralmente a Deus com seu talento musical. Jaime casou-se com Emily, uma talentosa cantora, em agosto de 1997. Além de atender à sua repleta agenda de concertos, Jorge é professor-associado de música na Universidade Gardner-Webb, na Carolina do Norte.

Seu pai era pastor em Cuba. Foi difícil para você, como cristão, crescer num país comunista?

Todos os jovens cristãos cubanos sofriam algum tipo de importunação e alienação. Na escola, os alunos e os professores riam de nós. Freqüentemente éramos interrogados sobre nossas crenças e desprezados por não sermos comunistas. Mesmo em nossa vizinhança, algumas crianças não nos deixavam brincar com elas devido às nossas convicções religiosas. Nunca sabíamos se nos deixariam brincar, se nos excluiriam ou se ririam de nós.

A música sempre foi importante para sua família. Sua mãe era uma talentosa musicista. Mas, por que o violino o atraiu? O que o motivou a trabalhar tão arduamente para aprendê-lo? 

Inicialmente, o que me atraiu no violino foi sua grande capacidade de comunicação: pode-se transmitir uma paixão profunda, ânimo e também ternura e afeição. Porém, o que me motivou a trabalhar de modo persistente foi o empenho de minha mãe em desenvolver o talento que Deus me havia concedido. Eu gostava de apresentações musicais, mas odiava ficar treinando. Ela me compeliu a praticar. Aprendi música com facilidade. Não me lembro de ter dificuldades como alguns ao meu redor. Mas, conforme fui crescendo, desenvolvi um desejo de me esmerar em tudo o que tocava e interpretava.

Quem mais o influenciou em sua espiritualidade? 

Meu pai. Ele sempre teve um profundo comprometimento com o Senhor e em compartilhar o evangelho (ele trabalhou como pastor até sua aposentadoria, alguns anos atrás). Sempre pude constatar que ele vivia aquilo em que acreditava e pregava.

Jaime, uma vez você disse: “Quando olho para trás em minha vida, posso ver que os pontos mais baixos e difíceis sobrevieram-me quando eu estava longe de Jesus, mas Ele nunca me abandonou.." O que você faz hoje para alimentar seu relacionamento com Deus? 

O único caminho para manter o relacionamento com Deus é passar tempo em estudo e oração. A única maneira de eu ser uma fonte de encorajamento e até de instrução para os outros é reabastecer diariamente esse manancial com Jesus. É por isso que me esforço em meu relacionamento pessoal com o Senhor. Nem sempre tenho êxito, mas é o único caminho que capacita para ajudar os outros.

Você estudou com dois dos maiores violinistas do mundo. Que outras influências inspiraram sua música? 

Minha mãe, Paul e Stephen Tucker (que cuidam dos meus arranjos e produção) e outros artistas conhecidos (tanto clássicos como religiosos) como Itzhak Perlman, David Oistrakh, Yo-Yo Ma, Plácido Domingo, Herbert von Karajan, Oscar Peterson, Van Cliburn, Quincy Jones, David Foster e Larnelle Harris. Esses são apenas alguns. Também aprecio muito compositores como Beethoven, Mozart, Chopin, Rachmaninoff e Tchaikovsky. Todos esses artistas se esforçaram para atingir o mais alto nível possível no que fizeram. É isso que também faço. E admiro, principalmente, aqueles que renunciaram à ostentação e ao reconhecimento do mundo em favor de uma vida dedicada a compartilhar seus talentos para a glória de Deus.

Apesar de seu incontestável talento e interesse pela música, você começou a estudar Medicina. Foi difícil desistir do sonho de ser médico? Você está feliz por ter escolhido a Música em vez de Medicina? Quando sentiu o chamado de Deus para exercer seu ministério em tempo integral? 

Nunca quis ser músico. Eu estava ciente da vida de sacrifícios e incertezas de um músico, especialmente de um músico cristão. Financiei algumas das minhas gravações e minha faculdade, inclusive parte do curso de Medicina, através de meus recitais. Mas logo após meu primeiro ano na Escola de Medicina da Universidade de Illinois, senti que o Senhor estava tentando atrair minha atenção. Então comecei a orar, mas não querendo realmente saber o que o Senhor tinha a me dizer. Finalmente, depois de orar durante oito meses (um pouco assustado), pedi um sinal a Deus. O sinal foi dado e então pedi um segundo sinal. Esse também foi dado e, naquele momento, decidi que deveria fazer o que o Senhor queria. Isso aconteceu em 1996. Não foi difícil desistir do sonho de ser médico, porque eu queria realmente fazer a vontade de Deus. Pensei que a Medicina era o plano divino para mim. Assim, quando tive certeza de Seus desígnios, senti completa paz. Nunca olhei para trás e lamentei esse fato ou me arrependi disso.

Você gravou vários álbuns até agora e produziu dois vídeos. Durante esses projetos, você teve muitos desafios, mas Deus sempre o ajudou. Que conselho daria aos jovens músicos que desejam gravar seu primeiro álbum? 

Desde 1987 até agora gravamos 10 álbuns. Eles começaram de modo simples, humilde e com baixo custo. O melhor conselho que posso dar a alguém que deseje gravar um álbum? Bem, primeiro escolha as composições que sinta que Deus quer que você insira em seu álbum (e isso através da oração). Segundo, escolha melodias que as pessoas reconheçam e com as quais se identificam. Muitos artistas incluem somente músicas originais, mas, como as pessoas não os conhecem, fica difícil convencê-las a comprar um álbum de músicas desconhecidas. Terceiro, comprometa-se a gravar o melhor álbum possível que puder. Esforce-se na qualidade de sua apresentação. Estabeleça os mais elevados padrões e não pare até atingi-los.

Entrevista publicada pela revista internacional Diálogo Universitário.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sons que curam e transformam vidas

Há pouco mais de vinte anos, o violinista Paulo Torres foi visitar uma tia que estava internada no antigo hospital Saint Claire, em Curitiba, por complicações de um enfisema pulmonar. Estudioso do instrumento desde pequeno e já um profissional de renome com algumas páginas em seu extenso currículo, trouxe seu violino para entreter e acalmar a paciente. Enquanto solava algumas peças barrocas, percebeu que pacientes dos outros quartos estavam saindo ao corredor, ávidos por ouvir o som angelical que vinha daquele quarto.

Como macas e camas não comportavam a numerosa plateia, Torres começou a visitar todos os “hóspedes”, tocando sua música para os pacientes interessados. Até chegar ao quarto de uma jovem que dormia. “Ela abriu os olhos e tentou falar comigo, mas só saíram sons guturais. A mãe dela, que estava no quarto começou a chorar e a gritar, e médicos começaram a entrar no quarto. Fiquei assustado”, lembra. Não era para menos: a paciente estava havia três anos em coma e despertou ao som de seu violino. “Percebi que minha música poderia ser usada como um instrumento divino para levar consolo, paz, alegria, tranquilidade e momentos de reflexão para pessoas enfermas.”

Desde então, Torres não parou mais. O castrense de 58 anos e pai de cinco filhos encontra brecha em suas funções como professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, primeiro violinista da Orquestra Sinfônica do Paraná e membro da Academia Paranaense de Letras e, voluntariamente, toca para pacientes em diversos hospitais da cidade. Também toca em orfanatos, asilos e prisões – onde chamarem. “Mais bem-aventurado é dar do que receber”, justifica o trabalho com uma frase do apóstolo Paulo, reflexo de sua religiosidade desenvolvida na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Traz em seu repertório música erudita barroca, clássica e sacra, além de hinos das mais variadas denominações. 

Benefícios

O trabalho voluntário de Paulo Torres o levou a buscar fundamentação em uma área cada vez mais estudada na medicina: o uso da música como terapia e humanização do tratamento médico. “Existem muitos estudos que associam a música sacra e a música barroca a uma melhora física e emocional dos pacientes.”

Com o tempo, o violinista passou a mobilizar outras pessoas para o trabalho de levar a música aos hospitais. “Organizamos concerto de Natal, de dia das mães. Levamos o [coral infantil] Curumim a um Centro de Hemodiálise, a Orquestra de Câmara da PUC também trabalha conosco, sempre levando conforto e musicalidade para as pessoas”, lista.

A busca pelo tema também o levou a dar palestras em diversas cidades, tanto para pacientes quanto para a comunidade médica sobre o assunto. O trabalho voluntário, aos poucos, foi se tornando uma das missões de vida do violinista, que não esconde o entusiasmo e a paixão pelo assunto: “Tenho um antigo sonho de que Curitiba se torne uma referência, senão mundial, ao menos nacional no uso da música no tratamento hospitalar”, confessa.

A dedo

Bach, Hendel, Haydn e Mozart estão sempre no repertório de Paulo Torres. Há diversos estudos que comprovam o benefício da música clássica para pacientes em recuperação.

"Currículo"

De pacientes que se recuperaram melhor a pessoas que exalaram seus últimos suspiros ao som do violino, as histórias que acumulou com essas experiências ao lado de pianistas – uma de suas filhas entre eles, Daniella Pereira –, dariam um livro, se as datas e os locais não estivessem tão difusos. Mesmo assim, vale contar a que compartilhou com uma colega de fé.

Certa ocasião, Torres entrou em um quarto da UTI com sua filha, trazendo um teclado sobre o carrinho de alimentos, para tocar o hino adventista “Não me esqueci de Ti” ao pé da cama de uma paciente. “Ela se levantou, tentou arrancar as máscaras que a envolviam e arregalou os olhos. Me afastei, porque achei que estava fazendo mal a ela”, conta. Duas semanas mais tarde, no mesmo hospital, porém, aquela paciente encontra sua filha no corredor, a abraça e chora copiosamente. “Ela disse que estava sem nenhuma esperança. E que, na manhã do dia em que tocamos para ela, ela havia pedido para que mandasse um sinal de que Ele não havia se esquecido de sua fiel.” A prova estava justamente no hino adventista, coincidentemente um de seus favoritos.

Fonte: Gazeta do Povo

domingo, 1 de dezembro de 2013

Como a Nova Era se tornou um movimento de massa

"Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos." Mateus 24:5

Trechos do artigo A Nova Era Não É Tão Nova, escrito por David Marshall (Ph.D., Universidade de Hull), editor-chefe da Casa Publicadora de Stanborough, Inglaterra, e autor de muitos artigos e livros, incluindo The Devil Hides Out (Autumn House, 1991), New Age Versus the Gospel (Autumn House, 1993) e Footprints of Paul (Autumn House, 1995).

Que é a Nova Era?

Definir a Nova Era não é fácil. Existe uma variedade de livros sobre a Nova Era, programas de televisão, filmes e músicas influenciadas pela Nova Era. Existem numerosos adeptos da Nova Era, e os que se encontram sob a influência do pensamento da Nova Era. Contudo, muitos deles, ou talvez a maioria deles, desde 1990, têm resistido à etiqueta da "Nova Era". Deve-se admitir que há muitas faces e fases da Nova Era, e poucos aceitariam a definição que vou dar. Com efeito, algumas faces são agradáveis, e muitos adeptos estão na periferia do envolvimento e resistiriam à idéia de que a Nova Era tenha um cerne de ocultismo.






Não obstante, precisamos tentar defini-la...

A Nova Era é o sincretismo religioso por excelência; que absorve e tenta reconciliar um espectro tão amplo de crenças, práticas, teorias e superstições de muitas faces e muitos adeptos. A Nova Era:

  • Leva a bordo todo o conceito da astrologia, até o ponto de utilizar seu nome. 


  • É holística em vários sentidos. Quer ver a remoção de todas as fronteiras no mundo, tanto religiosas como nacionais, e quer unificar a mente, o corpo e o espírito num conceito integrado do indivíduo. Está comprometida com medicina alternativa e várias formas de terapia e pseudo-psicologia. Aspira ter contato com forças universais excluídas ou condenadas pela tradição judaico-cristã. 


  • Utiliza do budismo o conceito do "deus interior". A reverência que seus adeptos mostram pela unidade do ser humano e da criação, e o modo como personaliza a Natureza em expressões como "Mãe Terra", os impelem ao panteísmo. 


  • Do hinduísmo ela adota a reencarnação e técnicas de meditação. A reencarnação dispensa pecado e julgamento, oferecendo uma série de vidas nas quais se livram do "karma" negativo; e técnicas de meditação que são usadas para fazer da mente "uma posse vazia". 


  • Recicla muito do espiritismo do século XIX. Adeptos da Nova Era propõem a ideia de que "iluminados" vivos tornam-se "canalizadores" (médiuns) para "iluminados" falecidos, "mestres" ou "cristos". Assim os adeptos mais destacados terão o poder de "canalizar" algum "mestre" ou "guru" falecido.


A raiz original do movimento combinando hinduísmo, budismo e o ocultismo se encontra na Sociedade Teosófica de Mme. Helena Blavatsky, fundada nos Estados Unidos em 1875. Mas não é provável que a Sociedade Teosófica jamais tivesse mais de cem mil adeptos. Agora a Nova Era espalha-se pelo planeta como um miasma, contando milhões entre seus adeptos.

Como a Nova Era se tornou um movimento de massa?



Durante a era da Guerra do Vietnã, a geração dos anos 60 tornou-se pacifista, beatniks, hippies e filhos das flores. Os flautistas desta geração foram os Beatles. No final da década as palavras absurdas de suas primeiras canções cederam lugar a mensagens esotéricas. Tinham começado a passar verões em ashrams na Índia aos pés de gurus. No auge de sua popularidade nas nações ocidentais, George Harrison e John Lennon estavam introduzindo a sabedoria esotérica do Oriente nas melodias de seus discos vendidos aos milhões.

Subitamente o vocabulário do hinduísmo e do budismo estava na moda; reencarnação, yoga, meditação transcendental e outros. 


No começo dos anos 70, os gurus partiam da Índia para os Estados Unidos com passagem somente de ida. Em todas as nações ocidentais a canção "Hair" estava no ar. Todo mundo estava cantando "É o raiar da era de Aquário...", poucos entendendo o que significava. 

A geração psicodélica dos anos 70 aceitou as premissas dos beatniks dos anos 60, e edificou sobre elas. Qualquer um da vanguarda praticava meditação transcendental. Havia yogas para todas as ocasiões: yoga mantra, yoga sidhi e yoga tantra. A astrologia tornou-se a indústria de maior crescimento. 

Nos terrenos das universidades ocidentais mais pessoas acreditavam na reencarnação do que na ressurreição.

Com o passar do tempo, tornou-se aparente que além da religião oriental e astrologia, o ocultismo também estava envolvido no novo movimento.

Pessoas como o ocultista britânico Benjamin Creme e o cientologista norte-americano L. Ron Hubbard não podiam acreditar que suas idéias vetustas subitamente estivessem na moda. Creme cunhou o termo "Nova Era" por volta de 1977, anunciando que pelo fim do milênio a era do Peixe (cristianismo) seria substituída pela era de Aquário (a Nova Era), na qual um novo messias presidiria sobre uma nova ordem mundial.

Foi necessário o materialismo crasso dos anos 80 -- Thatcherismo, Reaganismo, o Milton Friedmanismo -- para fazer da Nova Era um movimento de massa. A cultura Yuppie era uma dieta inadequada para o espírito humano e as pessoas reagiram. Ao passo que na Europa Oriental o público passou do comunismo para o cristianismo, no Ocidente, uma espiritualidade pagã ganhava terreno. A Nova Era tinha, com efeito, se tornado uma religião bem talhada para uma geração com evidente falta de idealismo político, com opinião desgastada do cristianismo, que tinha perdido sua orientação.

Para onde vai a Nova Era?

Clipe do cantor inglês Sting
Benjamin Creme é enfático em dizer que o senhor Maitreya aguarda o momento de presidir sobre a nova ordem. Ele será, diz Creme, uma combinação do Cristo que volta, esperado pelos cristãos, do Messias esperado pelos judeus, do Imam Mahdi esperado pelos muçulmanos, o Krishna esperado pelos hinduístas e o novo Buda esperado pelos budistas. Os anos que precedem o ápice dos milênios serão decisivos. 

Em Seu sermão escatológico registrado em cada um dos evangelhos sinóticos, Jesus profetizou a vinda de "falsos cristos e falsos profetas" nos tempos do fim; bem como vindas em lugares secretos ou no deserto. Em II Tessalonicenses 2:9-12, Paulo prediz que o aparecimento do "homem do pecado" seria acompanhado por todo "poder, e sinais e prodígios da mentira" e "com todo engano".

Fonte: Diálogo Universitário

"Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos." Mateus 24:23 e 24