"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." - Romanos 12:2

domingo, 18 de maio de 2014

Um oceano de ideias

por: Daniel Azevedo

Johann Sebastian Bach (1685-1750) é considerado por muitos como um dos maiores gênios musicais do mundo ocidental. Sua obra é amplamente executada e apreciada, não somente no meio erudito, mas em diferentes contextos e segmentos musicais. Nascido em Eisenach, Alemanha, Bach era membro de uma família de músicos. Foi violinista, cravista, organista, regente de corais, compositor e educador musical, entre outras ocupações. 

Em seu livro J. S. Bach for Electric Bass, o Ph.D. Bob Gallway afirma: “Músicos de Ludwig van Beethoven a Keith Jarrett têm estudado Bach, e sua obra tem proporcionado prazer e inspiração por mais de 200 anos. Desde sua criação, as composições de Bach têm sido tocadas em quase todo instrumento musical imaginável”. O autor destaca ainda que qualquer baixista, independentemente de seu estilo musical ou foco de atuação, certamente alcançará um significativo avanço nos aspectos técnica, apreciação e compreensão musical, através do estudo e domínio de suas peças.

Meu interesse maior pela obra de J. S. Bach surgiu durante a faculdade de Licenciatura em Música. O contato mais significativo ocorreu em aulas expositivas da disciplina de História da Música, onde pude apreciar peças belíssimas desse inigualável compositor do período Barroco. Mais tarde, ao pesquisar sua vasta obra, encontrei fontes preciosas de ideias e possibilidades musicais. Ao mergulhar nesse universo de novas sonoridades e estímulos, fui naturalmente motivado a estudar outros instrumentos, como o violão erudito e o violoncelo.

Na adolescência, tive contato com a música erudita de diferentes períodos. As composições de Vivaldi, Beethoven e Mozart me fascinavam, mas pouco conhecia a respeito da influência de Bach sobre os compositores dos classicismo e do romantismo. "Estude Bach! Aí você encontrará tudo" - Johannes Brahms, citado em Johann Sebastian Bach: an introduction to his life and works‎, p. 19. Ludwig van Beethoven, que o considerava o pai da harmonia, afirmou: "Bach (riacho, em alemão) deveria se chamar Ozean (oceano) e não Bach!". 

Bach é também o mais influente compositor cristão da história da música. Segundo ele, "o objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser outro além da glória de Deus e a renovação da alma". Bach costumava concluir suas obras com as iniciais S. D. G. (Soli Deo Gloria), dedicando-as "à glória de Deus somente".

Ao passar tantos anos com minha atenção voltada exclusivamente para a música popular, com suas infinitas vertentes, perdi de vista o fundamento de quase tudo o que se constrói em música há séculos. Por vezes, questionei o fato de haver tantos métodos sobre música barroca, dedicados ao contrabaixo. Hoje, compreendo o valor desses estudos e a razão do profundo interesse de instrumentistas em geral, compositores e arranjadores, pelo trabalho de Johann Sebastian Bach. O impacto de suas ideias se estende ao longo da história da música ocidental, alcançando os nossos dias.

sábado, 10 de maio de 2014

A música e o sobrenatural III

A música cubana é popularmente conhecida como salsa. É composta de ritmos extremamente envolventes e dançantes, que se distinguem pela repetição de ideias rítmicas, com a presença constante e excessiva de síncopes (deslocamento da acentuação natural da música). É praticamente impossível não se mover ouvindo música cubana. 

Por aproximadamente dois anos, participei de um projeto musical em Porto Alegre, tocando somente ritmos cubanos. Tratava-se de um grande grupo, com diferentes instrumentos de percussão, como timbales, congas, bongôs e outros, além de metais, contrabaixo, teclado e, é claro, um cantante à frente do grupo. 

As apresentações com essa banda de salsa aconteciam em casas noturnas, festas particulares, shopping centers e espaços culturais. Sempre que possível, havia a participação de dançarinos profissionais e alunos de suas academias de dança de salão. As pessoas dançavam realizando movimentos sensuais e todos bebiam e se excitavam com aqueles ritmos hipnóticos. Não poucas vezes, presenciei cenas de assédio e traição. E lá estava eu, tocando contrabaixo, promovendo as frequências graves que, somadas aos motivos rítmicos dos diferentes instrumentos de percussão, criavam o ambiente sonoro ideal para a dança e a libertinagem. Os resultados sobre o público não eram diferentes daqueles produzidos nos shows de rock, ou seja, tínhamos ali pessoas excitadas, eufóricas, fisicamente estimuladas, que agiam, não de modo racional, mas sim, movidas por paixões baixas. 

Houve uma ocasião em que tocamos na inauguração de um pequeno bar, cujos donos eram cubanos. Naquela noite, houve um episódio curioso. Enquanto o público dançava, eu e os demais músicos nos divertíamos com o ritmo contagiante e também com o cantante cubano que estreava no grupo, com seus improvisos de melodia e letra (pregón). Então, o pianista sugeriu um coro diferente sobre aquela mesma música. Agora, todos nós não apenas tocávamos nossos respectivos instrumentos, como também cantávamos o novo coro, repetindo as mesmas palavras, muitas e muitas vezes, ao som ininterrupto dos tambores. Tudo soava natural, quando comparado ao repertório do grupo, pois as demais músicas também continham coros repetitivos, sobre os mesmos ritmos envolventes. Mas havia algo mais naquele momento, alguma sensação diferente, muito atraente e estimulante. Era uma sensação de prazer crescente. 

Mais tarde, durante o intervalo, procurei o pianista e também líder do grupo, para lhe perguntar sobre o significado dos versos em espanhol que havíamos cantado com tanto entusiasmo. Tratava-se de uma reza, um cântico de adoração a uma “entidade”, um “orixá”. Na verdade, enquanto tocávamos e cantávamos aquela reza, de modo repetitivo e contagiante, estávamos invocando a presença de um espírito (um demônio ou anjo caído) naquele local. 

Por muito tempo, permaneci às cegas com relação à verdade sobre a imortalidade da alma. Não foi difícil conectar o acontecimento com lembranças da infância, das vezes em que fui levado pelos familiares a sessões espíritas e reuniões em casas de umbanda. Nesses lugares, testemunhei eventos sobrenaturais, como possessões, curas e outros rituais. Lembro-me bem dos cânticos de adoração, cantados de modo repetitivo, conduzidos pelos tambores com um ritmo contínuo.  

Podemos conhecer o que a Bíblia nos revela sobre o espiritismo ou a feitiçaria em seus múltiplos disfarces em textos como Deuteronômio 18:10-12, Isaías 8:19-20, Levítico 19:31, Eclesiastes 9:5-6, Levítico 20:6 e outros. Podemos entender de forma clara e objetiva o quanto Deus abomina e condena tais práticas.

Ao observar a história da música ocidental, percebo a trajetória e o desenvolvimento de determinados ritmos, bem como seu uso em rituais pagãos e sua presença na música popular contemporânea. Além disso, a ciência hoje é capaz de comprovar quais são os resultados de ritmos e melodias monótonos sobre a mente humana.

A relação torna-se óbvia. Urgente é a necessidade de vigiarmos, guardarmos as avenidas da alma, os sentidos, através dos quais exercitamos a contemplação.  

"Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus." Gálatas 5:19-21 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A batalha sonora

O vídeo a seguir apresenta o ex-artista de hip-hop Ivor Myers em uma de suas palestras. Myers fala de suas próprias vivências musicais e explica, de forma prática e objetiva, quais são os riscos físicos, morais ou espirituais do envolvimento com determinados ritmos e estilos da música popular. Aproveite!