"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." - Romanos 12:2

terça-feira, 24 de junho de 2014

Diálogo com uma professora de música no Quênia

A professora Emily Akuno nasceu no Quênia, em uma família de nove filhos. A mãe adventista influenciou sua vida demonstrando comprometimento com os valores espirituais. Toda sua formação educacional teve lugar em escolas públicas. Graduou-se em música pela Universidade Kenyatta, onde trabalha atualmente como professora de Música. Concluiu também o mestrado em Música pela Universidade Estadual do Noroeste, nos Estados Unidos, e o doutorado pela Universidade Kingston, em Londres.

Devido suas habilidades profissionais e realizações na área de música, Akuno foi eleita presidente do Festival de Música do Quênia para todas as instituições educacionais do país. Foi, também, presidente do Festival de Música e Cultura do Quênia para instituições não-acadêmicas, e presidente da Associação de Professores de Música da África Ocidental. Até recentemente, foi pró-reitora interina na Universidade Kenyatta e dirigiu o Departamento (posteriormente Instituto) de Música por vários anos na mesma instituição.

Qual foi o papel da fé e da música em sua infância?

Meu pai era policial e seu trabalho sempre o mantinha longe de casa. Portanto, fui educada pela minha mãe, membro ativa e fiel da igreja. Ela vivia sua fé e nos ensinou sobre um Deus que nos ama e cuida de nós. Minha avó materna também era adventista do sétimo dia. Passei muitas horas ao seu lado. Assim, considero-me uma adventista de terceira geração. 

Após o Ensino Fundamental, fui para uma renomada escola no Quênia. Lá, tive meu primeiro contato com a música e sua teoria como disciplina de estudo. A partir de então, meu interesse em música cresceu. Depois do Ensino Médio, estava decidida a cursar faculdade de música. Escolhi, então, a Universidade Kenyatta por seu prestigiado curso de música. Após a faculdade, fui para os Estados Unidos fazer o mestrado e, mais tarde, para a Inglaterra, cursar o doutorado.

Então, o seu interesse em música começou quando estudou nessa renomada escola secundária?

Não. Nessa escola tive contato com a música num contexto formal e acadêmico, como objeto de estudo. Anteriormente já estava envolvida com o ministério da música na minha igreja local, onde havia três corais. Cantava no primeiro coral, que seria equivalente a um coral de desbravadores, hoje. Portanto, desde os cinco anos de idade, estava envolvida no canto. Posso dizer que descobri primeiramente a música no meu lar e na minha igreja.

Sendo adventista do sétimo dia, como sua responsabilidade de ensinar música se relaciona com sua fé? 

Não vejo a música somente como música por si só, mas como um instrumento. No ambiente educacional, a música é uma ferramenta que otimiza mudanças de comportamento e ajuda na percepção de si mesmo. É uma ferramenta que muda as pessoas. Isso é um desafio para mim como adventista. Como usar esse instrumento para produzir resultados positivos? Como adventista, quero usar a música para transmitir valores corretos. Para atingir esse objetivo, uso os dons que Deus me concedeu para ensinar meus alunos de tal modo que possam fazer decisões sábias na utilização de seus talentos musicais. Minha fé também me orienta e ajuda na escolha das músicas que utilizo. Isso não significa que trabalho apenas com músicas sacras, mas deixo meus valores cristãos influenciarem minha perspectiva de música, tanto a sacra como a secular, clássica ou contemporânea.

Às vezes, a música é um tema polêmico, principalmente quando se trata de culto de adoração, tanto na Igreja Adventista do Sétimo Dia como em outras igrejas. Como profissional, que conselho daria sobre como a música deveria ser compreendida? 

Tenho três princípios. Primeiramente a música deve louvar a Deus. Davi escreveu: “Aclamai a Deus, toda a Terra” (Salmo 66:1). Ele agradeceu com música as bênçãos que Deus lhe concedeu. Portanto, a música apropriada deve ser agradável a Deus e deve louvá-Lo, sendo realizada com alegria e gratidão. Em segundo lugar, como cristãos devemos ser sábios e gentis. Amo o canto e a música, e se vou a uma igreja deficiente em música, sinto como se tivesse perdido algo em minha adoração naquele dia. Porém, os meus atos não deveriam ser uma pedra de tropeço para os outros. Sigo o conselho de Paulo de não causar o tropeço dos outros. Por último, a música é uma linguagem. Em um de meus livros, defino a música como a expressão de uma cultura. Como cristãos, nós adotamos uma cultura própria. A maioria das culturas locais, especialmente aquelas que conheço, pode não ter originalmente o conceito de um Deus no céu, mas o têm de alguma divindade a ser adorada. Agora que conhecemos o verdadeiro Deus, todos esses aspectos culturais deveriam ser submetidos ao nosso conhecimento de Deus. Utilizar músicas compostas em outra língua ou cultura pode resultar em uma conotação diferente do proposto no original. Por essa razão, incentivo a composição de músicas nas línguas nacionais, feitas principalmente por autores bem firmados no evangelho.

Sua família tem talento musical? 

De certa maneira, sim. Apesar de algumas vezes meu filho mais novo perguntar por que deveria estudar música, as informações que recebo da escola indicam que ele é bastante ativo nessa área. Meu filho mais velho estudou música até o Ensino Médio e toca saxofone, mas não faz faculdade de música. Permito meus filhos tomarem suas próprias decisões. As pesquisas indicam que a prática de música melhora a aprendizagem em outras áreas de estudo, assim como ajuda um indivíduo a ter equilíbrio emocional.

Poderia comentar sobre a vida na universidade pública onde estudou e trabalha atualmente?

A vida universitária pode ser uma grande mudança para os jovens, pois não existem mais toques de campainha, nem horários restritos de dormir, há pouca orientação sobre relacionamentos com o sexo oposto e, na maioria das vezes, você está totalmente independente. O que me ajudou foi o seguinte: ter sempre algo útil para fazer. Manter-me ocupada me afastava dos perigos da tentação. Além disso, ir à igreja cada sábado. Passávamos o dia todo na igreja estudando a Bíblia e em comunhão com os irmãos. Mantinha-nos, assim, ocupados no local certo com pessoas que possuíam valores semelhantes aos nossos. Assistir às reuniões de pôr-do-sol e outros cultos da igreja é importante. Eles podem ser vistos como rotineiros, mas nos ajudam muito no crescimento espiritual. Participar de grupos cristãos no campus também é muito bom. Isso oferece oportunidades para compartilhar sua fé e envolver-se em boas atividades. Essas atividades promovem amizades e um sistema de apoio para se manter focado nos aspectos positivos da vida. Além disso, oferecem também oportunidades para os jovens dialogarem entre si, conversarem sobre Deus e se conhecerem melhor.

Que conselho daria aos jovens interessados em estudar música? 

Comece onde você está. As igrejas locais oferecem muitas oportunidades em relação à música. Ao descobrir seus talentos e interesses, procure instituições educacionais com programas de qualidade nessas áreas. Tenha claro em sua mente a razão de querer estar envolvido com música. Vai ajudá-lo como cristão em sua responsabilidade de ser uma luz no mundo? Através da música, poderá levar luz onde há trevas? Irá exaltar a Cristo? Será um ministério para melhorar as difíceis condições sociais e espirituais, e ajudar os oprimidos? A música não deve ser um fim em si mesma, mas um meio de louvar a nosso Deus e compartilhar essa alegria com aqueles que estão ao nosso redor.

Fonte: Diálogo Universitário

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ruídos que nos cercam

Nós estamos cercados de ruídos em quase todas as áreas da vida moderna. Estamos expostos a ruídos no trabalho, na rua, provocados pelo trânsito, quando ouvimos música ou vamos para clubes noturnos, concertos com volume muito alto. 

A audição humana é delicada, complexa e fácil de ser danificada e quanto mais se encontrar exposta a ruídos mais probabilidade terá de ser prejudicada, uma vez que existe uma correlação entre ruídos em excesso e perda auditiva. 

Ruídos prejudicam seu bem-estar 

Pesquisas apontam que ruído é um grande motivo para deficiência auditiva entre adultos e a exposição a ruídos, na maior parte do dia, pode resultar em perda auditiva e tinnitus. A exposição diária a excessivos ruídos, no ambiente de trabalho, é o principal motivo de muitas causas de perda auditiva na população ativa.

Som alto de mp3 

Ouvir música de mp3 em volume alto pode colocar sua audição em risco e audição deteriorá-la com o passar do tempo. Uma pesquisa britânica revelou que de dez pessoas pesquisadas, oito não levam em consideração que elas podem ter suas audições prejudicadas ou ter tinnitus ao aumentar o volume do som. 

Os regulamentos da União Europeia têm estabelecido o limite máximo de 85 dB (decibéis) para todos os aparelhos de mp3, no entanto, níveis de som de mp3 podem atingir volume, em excesso, de 100 dB (decibéis). 

Ruídos em concertos 

Concertos podem ser uma ameaça para sua audição. Uma pesquisa que testou a audição de adolescentes antes e depois de um concerto mostrou que 72% dos adolescentes que participaram da pesquisa experimentaram redução na habilidade auditiva depois de serem expostos a concertos e 53% dos adolescentes disseram que acharam que suas audições tinham sido afetadas negativamente e 25% afirmaram que tinham experimentado tinnitus ou toque de sino no ouvido. Proteção auditiva foi oferecida aos adolescentes, mas só alguns a usaram. 

Ruídos causam perda auditiva em soldados combatentes 

Soldados combatentes podem também ser afetados com perda auditiva. Estudos mostram que mais de 12% de todos os soldados americanos retornam de conflitos ocorridos no mundo com perda auditiva. Ruídos não causam só impacto na habilidade de perda auditiva pessoal, mas pode levar a problemas de equilíbrio, dificuldade para dormir, comunicação e até mesmo elevar o risco de doenças cardíacas aumentando a pressão da pessoa, os lipídios e o açúcar no sangue. 

Paul Gilbert: Como evitar perda auditiva 

É conhecido por muitos que som alto pode prejudicar a audição. O guitarrista veterano Paul Gilbert aconselha músicos e amantes da música no sentido de evitar um tipo de perda auditiva que ele mesmo sofre. Ele elaborou uma lista de itens que que deve aconselhar outros músicos e amantes da música para fazer se eles querem conservar a audição e evitar tinnitus

Paul Gilbert que tem tocado sua guitarra horas a fio sem protetor auditivo, como resultado ele tem tido dificuldade para ouvir frequências altas, tem tido tinnitus com frequência e dificuldade para ouvir e entender o que as pessoas dizem. 

Exposição diária a ruídos 

A exposição diária a ruídos está diretamente relacionada a risco de prejuízos auditivos. Muitos países recomendam uma exposição diária de ruídos inferior a 85 dB (decibéis, que é calculada de tal maneira que 85dB representa o dobro de 82 dB (decibéis) de exposição. 

A medida diária de exposição a ruídos é uma combinação de nível de ruídos com o período de tempo em que uma pessoa está exposta a ruídos específicos.

Fonte: Hear-it.org

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Há significado e forma para adoração?

Lilianne Doukhan nasceu na Suíça e começou a estudar piano aos quatro anos de idade, em Viena, Áustria. Recebeu o Primeiro Prêmio em Performance de Piano no Conservatório Nacional de Estrasburgo. Obteve um mestrado em Ciências Humanas (Universidade de Estrasburgo, França), bem como em Música (Andrews University), e possui um Ph.D. em Musicologia pela Michigan State University. Realiza palestras e oficinas de música sacra em todo o mundo, trazendo uma experiência de vida multi-cultural em seu ensino. É autora do livro In Tune with God e atua como editora de uma coleção de artigos sobre adoração.

por: Lilianne Doukhan

Como adoraremos?

Todos nós adoramos de uma maneira ou de outra. Até mesmo aqueles que não acreditam em religião adoram. Eles adoram ídolos do esporte, da música ou o dinheiro. Fomos criados para a adoração. A criação de Adão e Eva por Deus no sexto dia, o dia que precede o sábado, tem um significado teológico e sociológico profundo. O Criador pretendia que na vida dos seres humanos a adoração tivesse prioridade sobre qualquer outra atividade humana. É essa prioridade que exige dos seguidores de Deus que eles não só adorem, mas também o façam da maneira certa. O fato e modo da adoração não podem ser considerados irrelevantes. 

Qual é a forma correta de adoração? Há só uma forma ou estilo correto? As formas de adoração mudaram com o passar do tempo? Quem decide que forma ou configuração é a mais apropriada? Pondo de lado as opiniões e preferências pessoais, precisamos descobrir a resposta na Palavra de Deus.

O significado da adoração 

As Escrituras proveem-nos vários modelos de adoração. Um dos mais claros está em Isaías 6:1-8, onde o profeta relata a visão que teve de uma cena de adoração celestial. Esse texto nos apresenta um programa, até mesmo uma ordem de adoração. 

O capítulo tem início com uma visão de Deus em Seu trono celestial, uma visão de beleza, poder, majestade e reverência. Aqui aprendemos primeiramente por que prestamos culto: para responder à presença de Deus e atender Seu chamado à adoração. 

Os Salmos -- textos tradicionais de adoração e louvor de Israel -- nos ajudam a descobrir como adorar: com alegria e reverência. O tema percorre os Salmos e é expresso em frases como: "Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemo-nos diante do Senhor, o nosso Criador" (Salmo 95:1, 6).

Equilibrar alegria e reverência representa um desafio. Nos serviços de adoração, freqüentemente praticamos uma com exclusão da outra, e de algum modo não descobrimos o modo de combinar as duas. Parece difícil ser reverente e ao mesmo tempo jubiloso. Mas, isto é o que a Palavra de Deus diz que devemos fazer no culto de adoração. 

Além disso, quando vamos adorar precisamos descobrir a quem adoramos. A adoração não é algo que fazemos para nós mesmos. Ela deve ser feita para Deus e a Deus. É uma atividade centralizada em Deus, inteiramente focalizada nEle (veja Salmo 9:1 e 2). Não vamos adorar principalmente para obter bênçãos, para aprender algo ou desfrutar companheirismo. O propósito principal da adoração é ir a Deus, dar-Lhe glória e falar sobre Seus feitos. 

Adorar, portanto, é uma experiência de parceria: Deus, de um lado, inicia o chamado à adoração e o adorador responde ao chamado.

Para que a adoração tenha lugar, é preciso seja ela significativa a ambas as partes. A adoração significativa é agradável a Deus. O Salmo 19 é bem claro nesse ponto: "Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a Ti" (Salmo 19:14). Contudo, com que freqüência esforçamo-nos para agradar a congregação ao planejarmos nosso culto de adoração!

A motivação determina nosso pensamento e organização no que respeita à adoração. A primeira preocupação que devemos ter em nosso coração sempre que lidarmos com formas e formatos de adoração é: "Será que isso vai agradar a Deus?" Quando queremos agradar alguém, tentamos descobrir o que a pessoa é: Qual é o seu caráter? O que ela gosta de fazer? Como ela se relaciona conosco? Precisamos fazer as mesmas perguntas para descobrir o que vai agradar a Deus. As respostas obtidas orientarão nossa busca pelo que é apropriado na adoração. 

A adoração, porém, deve ser também significativa para o adorador. É importante descobrir se o culto de adoração é relevante para nossa congregação, isto é, se ela achará significado nele. Isso nos chama a atenção para a importância dos símbolos. Na adoração, o significado está repleto de símbolos como a Ceia do Senhor, o batismo, a leitura da Bíblia, a oração, a música, a arquitetura, etc. Todos esses são "sinais" importantes para comunicar o significado da adoração, e deveriam contribuir para que ela seja viva e relevante. 

Essa é uma tarefa difícil. E até muito mais difícil é combinar as duas coisas: o que é apropriado e a relevância. Como pode a adoração ser agradável a Deus e, ao mesmo tempo, relevante para a congregação? Como podemos combinar o elemento divino da convocação e o elemento humano da resposta em nossa experiência de adoração?

As formas de adoração

Lilianne Doukhan
O serviço de adoração diz respeito a toda a congregação e não só ao pastor. Nesse aspecto, precisamos educar nossas congregações, bem como os nossos pastores, dirigentes de culto e de música. Nossos dirigentes de culto e de música freqüentemente servem a congregação com seus talentos e sua boa intenção. Os músicos, especialmente os que são treinados em habilidades específicas, devem lembrar-se de que a adoração é um momento muito especial. Nela você não apenas "executa música". Na adoração você não apenas "interage" com a congregação. Não apenas "lê um texto". Você faz todas essas coisas na presença de Deus e para Deus.

A verdadeira adoração, em sua essência e suas formas, começa com o aprender e ensinar sobre ela. A educação, o exemplo, o aconselhamento, o preparo de líderes e da congregação são todos ingredientes nesse processo de aprendizagem.

Aprender sobre a adoração suscita perguntas importantes: Há um estilo ou formato particular que Deus mais aprecia? Há uma maneira melhor de prestar culto? Há um modo para o mundo todo adorar? A Bíblia esclarece que não é tanto o estilo ou formato da adoração em si que importa a Deus. O que Deus está buscando é a condição e a atitude do coração do adorador. A expectativa mais elevada na adoração, aos olhos de Deus, é "um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito" (Salmo 51:17). Deus não aprecia nossos sacrifícios, nossas formas de adoração, quando não encaminhamos a conversa para "praticar a justiça, amar a fidelidade, e andar humildemente com o seu Deus" (Miquéias 6:8).  

É, portanto, a transformação genuína do coração que vai garantir o formato genuíno de adoração. Qualquer formato que utilizemos será destituído de significado se não o fizermos com um coração transformado. Numa corporação global, multicultural, como a Igreja Adventista, onde quer que adoremos, os mesmos princípios devem guiar nossa compreensão do que é a adoração. Derivados da Palavra de Deus, esses princípios são imutáveis e eternos, independentemente de tempo ou lugar. A divergência está em nossas expressões de adoração, no modo como adoramos. Precisamos determinar que atitudes, moldadas por nossa cultura, expressarão melhor a reverência. Aqui a pergunta real é: "Este modo particular de expressão, dentro de dada cultura, será verdadeiramente entendido como expressando reverência a Deus?"

O mesmo é verdade com respeito à alegria. Há modos diferentes de ser alegre. Alguns saltam e gritam, outros são calmamente alegres. Qualquer que seja a cultura em que vivemos, precisamos descobrir o modo mais legítimo de expressar a alegria que procede da adoração bíblica. Que tipo de alegria deveríamos esperar desfrutar na adoração? Há diferença entre o tipo de alegria que experimentamos na adoração e a celebração que fazemos num jogo de futebol ou num evento musical? A alegria proveniente da adoração é muito especial, incomum. Ela é semelhante à nossa alegria humana, mas também muito diferente. O relato feito por Neemias sobre a dedicação dos muros de Jerusalém após o retorno de Israel do exílio, diz que eles estavam contentes "porque Deus os enchera de grande alegria" (Neemias 12:43). Assim, a alegria na adoração é um contentamento concedido por Deus, o resultado de nosso encontro com Ele e daquilo que Ele fez por nós. Nossa busca dessa alegria concedida por Ele é muito importante porque ela amoldará nossas expressões de adoração: a maneira como nos comportamos durante o serviço de adoração, a música que executamos e como executamos essa música. 

Uma das difíceis realidades da adoração é que ela traz consigo uma tensão, como podemos notar, entre o participante humano e o participante divino; entre as expressões de alegria e reverência, e entre o que é apropriado e o que é relevante. Essa é uma tensão saudável porque constantemente nos desafia em nossa adoração. Ela requer que não poupemos esforços para encontrar um equilíbrio sadio entre os dois elementos. Essa tarefa não pode ser feita por uma única pessoa; ela envolve toda a congregação para assegurar que nossa adoração seja agradável a Deus. 

Sob a perspectiva dessa tensão, qualquer discussão sobre formas e formatos de adoração toma uma nova direção. A questão não é mais escolher entre estilos -- o que poderia significar que há alguns estilos melhores do que outros -- mas fazer escolhas dentro de um determinado estilo. Uma multiplicidade de estilos e adoração está disponível e dentro de cada estilo devemos escolher os elementos que adequadamente transmitem os verdadeiros valores da adoração.

Formas e formatos não são a meta ou o propósito da adoração. Eles são agora resultados e conseqüências de nossa reflexão sobre adoração. A essa altura, novas perguntas surgirão e orientarão nossa busca da verdadeira adoração:

  • Como podemos captar o senso de santidade na adoração? 
  • Como podemos moldar o serviço de adoração, de forma que o adorador seja conduzido a concentrar-se em Deus, em vez de na música ou na pregação? 
  • Como podemos expressar alegria e reverência na adoração e manter o equilíbrio entre as duas? 
  • Que expressões de adoração podem ajudar os membros da congregação a se tornarem melhores praticantes de sua fé, ou seja, exercer misericórdia e justiça, os sinais da verdadeira adoração? 
  • Como o serviço de adoração pode comunicar nossa mensagem ao mundo? 

Precisamos reaprender como adorar. O segredo para conseguir isso é reaprender como nos ligarmos a Deus em um nível pessoal. A adoração corporativa principia no nível pessoal. À medida que aprendermos a conhecê-Lo melhor e como nos aproximarmos dEle, à medida que aprendermos a maneira de nos dirigirmos a Ele e de nos relacionarmos com nossos companheiros de adoração, descobriremos como tornar nosso serviço de adoração mais significativo. 

Fonte: Diálogo Universitário.